Você fecha o mês com plantões, consultas e convênios, mas quando o imposto de renda chega parece que metade do esforço evaporou. Para a maioria dos médicos, a pergunta certa não é "quanto eu faturo", e sim "quanto eu de fato levo para casa". É aí que entra a decisão entre receber como pessoa física ou como PJ.
A conta que muda o jogo: PF x PJ
Como pessoa física, o médico cai na tabela do carnê-leão e do ajuste anual, onde a alíquota chega a 27,5% sobre o que ganha acima do limite. Não há muito o que fazer: é receber, declarar e pagar.
Como pessoa jurídica no Simples Nacional, a história é outra. A tributação parte de patamares bem menores e, com o Fator R bem aplicado, a alíquota efetiva costuma ficar em uma fração do que se paga como autônomo. A diferença, ao longo de um ano, frequentemente paga sozinha a contabilidade — e ainda sobra.
Um exemplo para visualizar
- Médico recebendo R$ 30 mil/mês como pessoa física: imposto na faixa de 27,5%.
- O mesmo médico como PJ no Simples, com pró-labore estruturado e Fator R acima de 28%: tributação efetiva em um dígito percentual sobre o faturamento.
Os números exatos dependem do seu caso, mas a ordem de grandeza costuma surpreender quem nunca fez a conta.
O que é pejotização — e quando ela é segura
"Pejotização" é simplesmente receber por uma empresa em vez de como pessoa física. Para o médico plantonista, que presta serviço a hospitais e clínicas, isso é absolutamente comum e legítimo — desde que feito com organização: contrato adequado, emissão correta de notas e a empresa enquadrada na atividade certa.
O risco aparece quando a PJ é usada para mascarar um vínculo de emprego com todas as características de CLT (subordinação, horário fixo, exclusividade). Por isso a estrutura precisa ser montada com cuidado — e é exatamente esse cuidado que evita dor de cabeça lá na frente.
Fator R: o detalhe que leva ao Anexo III
O Fator R é a relação entre a folha (incluindo o seu pró-labore) e o faturamento dos últimos 12 meses. Quando ele atinge 28% ou mais, a atividade médica passa a ser tributada pelo Anexo III do Simples (a partir de 6%) em vez do Anexo V (a partir de 15,5%).
Estruturar o pró-labore para alcançar esse percentual, sem pagar mais INSS do que o necessário, é um trabalho de acompanhamento mês a mês — não uma conta feita uma vez por ano.
Erros comuns do médico que vira PJ sozinho
- Abrir a empresa com o CNAE errado e cair em um anexo mais caro sem perceber.
- Definir um pró-labore baixo demais "para economizar" e perder o Anexo III.
- Misturar a conta pessoal com a da empresa, o que complica a distribuição de lucros isenta.
- Esquecer obrigações acessórias e regularidade junto ao CRM-BA.
Cada um desses pontos parece pequeno isolado, mas juntos definem se a PJ vai realmente economizar ou virar uma fonte de problemas.
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