A maior mudança tributária em décadas já está em curso. Para quem tem ME ou EPP, a dúvida é direta: o que muda no meu dia a dia e no meu bolso?
O que está mudando
A Reforma Tributária substitui tributos sobre consumo por dois novos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência de estados e municípios, e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal. Juntos, eles substituem PIS, Cofins, ICMS e ISS de forma gradual.
A transição é faseada ao longo dos próximos anos, o que dá tempo para se preparar — mas exige atenção desde já.
E o Simples Nacional?
O Simples Nacional continua existindo. As empresas optantes poderão permanecer no regime, mas será preciso avaliar caso a caso se vale a pena, já que a forma de aproveitar créditos muda com o novo modelo.
Em algumas situações, um cliente que compra de uma empresa do Simples pode ter menos crédito do que teria comprando de uma empresa de outro regime. Isso pode afetar a competitividade de quem vende para outras empresas (B2B).
Pontos de atenção para ME e EPP
- Quem vende para empresas (B2B): avaliar o impacto dos créditos na decisão do cliente.
- Quem vende para o consumidor final (B2C): o impacto tende a ser menor, mas os preços do mercado vão se reorganizar.
- Setores com redução de alíquota: saúde e educação têm tratamento diferenciado previsto na legislação.
O split payment
Uma das novidades é o split payment, um mecanismo em que o imposto é separado e recolhido automaticamente no momento do pagamento. Isso muda a lógica do fluxo de caixa de muitas empresas, que hoje "usam" o valor do imposto entre o recebimento e o vencimento da guia.
O que fazer agora
O pior cenário é ser pego de surpresa. O melhor momento para planejar é antes da transição se consolidar. Na prática, recomendamos:
- Mapear se a sua empresa vende mais para consumidor final ou para outras empresas.
- Projetar o impacto nos preços e na margem.
- Revisar o regime tributário à luz das novas regras.
- Preparar o caixa para a lógica do split payment.
Cada empresa será afetada de um jeito. Uma análise individual é o que transforma a incerteza da reforma em vantagem competitiva.
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